quarta-feira, 15 de julho de 2009

Deus me LIVRE...


Aproveitando a carona da Tertulia Virtual vamos falar sobre o medo de ser LIVRE q algumas mulheres tem (homens tbm, contas feitas...) e q as leva a viver e morrer, literalmente, na suposta prisão matrimonial... Esse blog q nasceu com uma missão ternurenta de expor minhas crônicas sobre a vida como mãe ilegal, isto é, mãe imigrante ilegal... passou a ser um canal de purgatorio existencial, onde exponho vez por outra as mazelas ilegais q afetam milhoes de mulheres por esse fim de mundo... as informações q aleatoriamente vão surgindo por aqui, remeteram muitas vezes para ambientes domésticos, como raiz de muitos males... e é mesmo ao q parece, em casa de quem casa, q começa um lastimavel rastilho de histórias infelizes... ao q parece é mesmo na violência doméstica q nasce a violência social... e vamos or ai afora, mais uma vez tentando entender pq isso acontece assim... e onde poderemos alterar essa estrutura e mudar o final infeliz de tantas "princesas"... argh, odeio q me chamem de princesa... prefiro antes RAINHA... mas afinal, pq as meninas querem tanto se casar, mesmo já sabendo q isso não vai prestar, e os meninos tbm, afinal, elas se casam com eles... pq mesmo hein?
Ah, pq existe uma pressão social para q só sejamos felizes para sempre se tivermos um casalinho hetero e monogâmico, de preferencia endividado no banco por uns 20, 30 ou 50 anos...
Pelo fim da ditadura do amor romântico, heteronormativo e monogâmico (fonte de toda hipocrisia que vivemos...) vamos fazer uma série aqui dismitificando pra sempre essa historinha ra boi dormir e enfim, ser FELIZES SOZINHAS E LIVRES para sempre!!!

Começamos com um testo doMaçãs Podres sobre o motivo q impulsiona as meninas para o abismo nupcial...
“O desejo inconsciente dos cuidados de outrem – é a força motriz que ainda mantém as mulheres agrilhoadas. Denominei-a “Complexo de Cinderela”, uma rede de atitudes e temores profundamente reprimidos que retém as mulheres numa espécie de penumbra e impede-as de utilizarem plenamente seus intelectos e criatividade. Como Cinderela, as mulheres de hoje ainda esperam por algo externo que venha transformar suas vidas.” (Collete Dowling)

Como foi observado por Simone de Beauvoir existem mulheres que se posicionam como submissas para “evitar a tensão envolvida na construção de uma existência autêntica.” Permanecer nessa posição de submissão sendo boa companheira, boa mãe e dona de casa (de preferência sustentada), traz uma tranqüilidade que a LUTA POR SI MESMA não traria.
O medo de enfrentar o mundo sozinha gera uma tensão emocional e uma ansiedade asfixiante de ser aceita, estes sentimentos envolvem as mulheres, fazendo-as recuar da luta. É evidente que é muito mais fácil recuar do que encarar um problema que foi enfiado em nossa goela. E hoje se encontra enraizado dentro de nós mulheres por comodidade tbm. A princípio o que foi imposição de ser protegida por um homem e dependente dele em todos os âmbitos, tornou-se um comportamento natural e “cômodo” (não precisamos pensar, não precisamos nos responsabilizar por nós mesmas e nem lutar, pois aparentemente está tudo bem).
Estar “tudo bem” não gera tensão...
Gerar tensão indica que há um conflito entre as necessidades internas e as imposições externas, essa comodidade é que vai frear a tensão e a ansiedade. Afinal, quando nos confrontamos com o externo nos tornamos “doentes psíquicos”, uma “anomalia” para a sociedade. Como qualquer doença os sintomas se manifestam e os medicamentos veem para “curar” a tal “anomalia”. Se os sintomas permanecerem, inicia-se a repressão. Esta repressão se traduz em falsa preocupação, pois o que a sociedade, a família, os amigos, a religião, o Estado e a medicina dizem ser “preocupação com a nossa felicidade e bem-estar físico”, na verdade é traçar o nosso destino baseado no padrão moral da antiga família, com intenções econômicas de sustentação do sistema vigente.
A imposição do papel social feminino é de se tornarem mães, esposas, donas de casa, sonhando com a proteção de uma falsa liberdade e, intrínseco neste projeto, o amor cumpre um papel de aprisionar as mulheres. Eis as flores que cobrem a camisa de força!
Como diz Reich: “As catástrofes dos tempos mostraram-nos que o povo ensinado a ser cegamente fiel em qualquer sistema se privará da sua própria liberdade; matará o que lhe dá liberdade, e fugirá com o ditador”.
E qual a prescrição médica para tal doença?
Não se iludam mulheres, a única prescrição que temos está em nós mesmas. Somos as únicas médicas capazes de diagnosticar e sanar essa doença. Este é o único caso útil de auto-medicação. Ou então se delicie vivendo dentro de um hospital onde a camisa de força é coberta por flores, pois é muito mais fácil vender a nossa independência do que ser senhora de si mesma.
Como Maçãs Podres, nosso objetivo é eliminar o impulso (força motriz) que alimenta o Complexo de Cinderela e nos coloca numa completa dependência do outro. Nós estamos dispostas a quebrar os grilhões e dissipar a cegueira. As experiências emocionais que nos esperam são poderosas, mas para aquelas que realmente abandonam os ‘scripts’ sociais, em troca, recebem a verdadeira liberdade. Inicialmente a luta contra o Complexo de Cinderela é conseqüentemente a luta contra nós mesmas!

Texto: Élida R. Pereira.
Colaboração: Ana Clara, Cathiara e Patrick Monteiro.





Não alimente esse bicho papão por favor...

...

9 comentários:

Luis Bento disse...

Comecei por ver o video em baixo...e de seguida, li este texto... Foi incisivo, duro, real. Mesmo assim, continuamos à procura da tal felicidade que nos vendem, só existir no crédito a 30 anos na casa duplamente hipotecada ao banco gerando tensões permanentes no casal...Desconcertante, fiel. Adorei...sem complexos...

Nana Odara disse...

Obrigada pela visita...
foste o primeiro e único...
até agora...
Sim, temos de parar de alimentar esse monstrinho...
Bjins doces...

escrevo palavras e choro poemas disse...

Minha linda seu texto foi perfeito! otima escolha, tava precisando ler algo assim q confirmasse minha maneira de pensar.
Parabens! amei seu blog!

Nana Odara disse...

Que bom q vc gostou...
Bjinhos...
Volte sempre...

Eduardo P.L disse...

Que bem humorada carona no tema da Tertúlia! Gostei muito do seu post! Muito obrigado por ter participado desta última TV.
Parabéns pelo blog!

Nana Odara disse...

olá Eduardo...
Vi todas as críticas... concordo com algumas... mas acho q isso não desmerece a TV...
Adorei participar...
Bjins

Compondo o olhar ... disse...

lindo...seu texto é muito interessante e o vido só foi comprová-lo... bela participação...
pena que esta seja a última tertulia, mas com ela fica a amizade e o carinho que ela nos proporcionou a todos nós!!! aguardamos novos projetos destes amigos incriveis...

bjocas

ps: tbm participo.

Vou de coletivo! disse...

Olá!
Aqui quem fala é o Murilo, dos blogs Palavras de Osho e Os nascimentos das palavras.
Assim como você e dezenas e dezenas de outros amigos blogueiros, eu participava das blogagens coletivas do Tertúlia Virtual, belíssimo projeto de promoção de blogagens coletivas que infelizmente chegou ao fim em julho de 2009.
Para mim, a inicitativa do Tertúlia foi responsável pela realização de muitas das melhores blogagens coletivas da blogosfera em língua portuguesa.
A idéia de a cada mês reunir blogueiros em torno de um tema foi tão bem-sucedida que não podemos deixá-la morrer.
Para colaborar, lancei o Vou de coletivo!
Todo dia primeiro do mês será proposto um tema para ser abordado por blogueiros por meio de textos, imagens, vídeos e o que mais a criatividade permitir.
Assim que o tema do mês é apresentado, é aberta uma lista de inscrições. Basta você inscrever sua postagem que automaticamente será inserido um link para ela na relação de participantes. As inscrições ficam abertas o mês todo.
E você, gostou da idéia? Espero que sim!
Então não vamos perder o embalo. Logo sai o primeiro coletivo de 2009! Clique aqui e acesse o Vou de coletivo!
Abração!

deusa Lótus disse...

Mto bom Nana! É isso aí... precisamos de realidade! É O CAMINHO PARA A LIBERDADE! Beijos!